São os significados que nós damos a vida que nos move e nos torna aquilo que nos tornamos. O amor nos faz seguir pelo caminho onde todos somos semelhantes, a compaixão nos faz seguir pelo caminho que nos livra de arrependimentos e nos livra do peso da culpa. Toda e qualquer verdade guarda em si um caminho reto daquilo que nos faz ser humanos. Compreender a natureza humana é aceitar o outro com suas qualidades e defeitos como se ele fosse também uma parte sua. E é mesmo. Tudo que somos em nossa natureza humana guarda um potencial de se expressar em outro, por isso julgar o outro partindo de si mesmo nunca é a forma mais correta de seguir. Assim é também a idolatria, pois idolatrar homens é o mesmo que criar estátuas imóveis que nunca souberam o que é serem humanas. Valores geram ações, e é nisso onde se concentra toda a verdade dos nossos julgamentos. O agir incoerente com a natureza humana, ou com o significado maior do amor é uma falta de amadurecimento espiritual no conhecimento daquilo que realmente somos em essência. Isso que é a ignorância geradora de todo mal. Deus está em toda parte e todas as partes de Deus está em nós. Nós guardamos em nosso interior a verdade integral daquilo que está além da imagem, aquilo que vai além do tempo e que no espaço se expressa de todas as formas nos fazendo observar essa verdade, de que Deus está em toda parte. Ter consciência espiritual não é ser religioso com dogmas, nem doutrinas, nem grupos, é antes de tudo ser fiel a sua igreja interior, é ir no mais profundo dos significados da sua própria existência.
A vida as vezes pode parecer efêmera, passageira, podemos pensar que nós somos uma fatalidade do acaso, ou uma combinação sincronizada de acontecimentos ou verdades acima de nós mesmos, ou uma pura combinação de genes, porém, seja como for, a verdade de nossa existência sempre estará em nós, aqui, e no mais profundo da nossa compreensão isso é uma combinação não de genes, mas do Tempo. Fazemos parte de um todo que se sincroniza para um movimento, onde cada um tem comprometimento com o mundo em sua volta, onde tudo começa sempre partindo de si mesmo. O I Ching fala de mutações que são nossas mudanças no caminho para uma consciência superior, essa que nos faz caminhar cada vez mais em sincronia com o universo, fazendo escolhas mais acertadas em integridade com a verdade que está em todos nós e no universo, e assim nos dando consciência de cada passo em nosso caminho para onde queremos chegar. A mutação não é do ser, mas do estar. O ser sempre será o que é, mas o estar é a impermanência. As mutações nos levam nesse caminho da descoberta dos genes do Tempo que acompanham todas as suas mudanças de estações, do eterno dentro do efêmero, do espírito dentro da alma.
O I Ching é um método que traduz um determinado instante de tempo a sua sincronicidade com o universo e do universo em si mesmo, é como se ele olhasse naquele momento em um hexagrama, um intervalo de movimento da conexão nossa com o ser superior ou com o espírito do Uno. Não é como um horóscopo, ele é bem mais específico na leitura de cada um, pois enxerga através da energia de influência que parte de cada um que o procura, dando um significado no momento em que o solicitamos, fazendo uma conexão cósmica da nossa energia com aquele intervalo de tempo dentro do espaço. Ou seja, o I ching olha o ser dentro do estar partindo do que é ser.
57 – SUN, A SUAVIDADE
A suavidade tem como elemento a madeira. A madeira tem suas raízes na Terra, que por princípio é estático. Seu instrumento é o Tempo, pois se movimento de forma cíclica e por isso acompanha os sinais do Tempo. O poder penetrante do vento dissolve a escuridão através da sua constância sobre si mesmo. Nesse hexagrama está implícito a clareza sobre o que é correto e a constância do caráter, a firmeza sobre sua essência. A repetição dos trigramas, “o que está acima é igual ao que está baixo”, por isso o seu poder obedece as leis do céu. No caminho de cada um, a suavidade representa a permanência naquilo que é correto, na verdade de cada um, a constância do caráter. A perseverança com suavidade segue as leis do tempo. O Tempo sinaliza para o avanço ou para o recuo, ou a quietude para observação e percepção do que é favorável. A suavidade, representada pelo vento, simboliza a penetração do poder luminoso sobre o que é estático, sinalizando para o movimento do firme em sincronicidade com o Tempo.
Reorganizando idéias
Pode parecer estranho, mas eu conheço Deus. E por mais que eu o conheça, mais abstrata é sua forma. Quanto mais conheço Deus, mais entendo o valor da fé. Não é uma questão de crença, é uma questão de fatalidade. Por mais que se explique tudo do universo, de nós seres vivos, sempre restará um ponto, um lado não descoberto, e é nesse lado que vamos tendo impressões das formas de Deus. O conteúdo dele, para mim, não é mistério. Consigo ver Deus em qualquer coisa ou lugar, só pelo conteúdo. E para falar nesse conteúdo existem muitos, muitos ingredientes comuns e contidos nele mesmo. É mais ou menos assim: Tem o trigo, que faz a farinha, que faz o bolo. O bolo sem a farinha, não pode ser bolo, a farinha sem o Trigo, não existe também, e o trigo sem a Terra, não germina. Então, quem é Deus? Essa energia que tudo é e cria. É um átomo que não pode ser dividido porque ele é vazio. Como dividir o vazio?
O bem e o mal é um julgamento que fazemos automaticamente quando estamos em convívio com outros seres, porque o julgamento acontece o tempo todo quando nos espelhamos. O que Deus tem a ver com isso? Ele criou isso. Ele criou esse mecanismo de permanência e evolução. Deus é uma energia viva, que responde e corresponde às nossas causas, a medida que nós existimos como seu efeito. A consciência de cada um determina como você sente diante do autojulgamento e esse julgamento sobre si mesmo aprofunda, a medida que você conhece a verdade das coisas. Ou seja, se você sabe e mesmo assim permenece no erro, sua consciência não lhe salvará. O inferno será aquele que você construiu ao ignorar o julgamento da sua consciência sobre você mesmo. E ao final, tudo que você sente sobre seu ser e em seu ser, sobre tudo experimentado, sabido, compreendido, negligenciado, ignorado e praticado, como você sente é a energia que trará sua áurea.
Nas minhas idéias Deus e ciência são unidos e de forma que eu não consigo separá-los, talvez por ignorância, ou talvez por saber, não importa, o que importa é que mesmo que eu use toda minha razão e lógica, Deus ainda ocupa o papel que sempre teve. Não como um senhor, nem um carrasco, nem um pai bondoso. É simplesmente o pai. O gerador. E tudo que a Ele dedico na minha energia, naquilo que me move e impulsiona, na essência do que sou em meu ser, tudo isso, Ele responde, como um oráculo, as vezes nem sempre entendo, outras vezes Ele não responde como eu gostaria, mas ele sempre tem uma reação de volta para minhas ações. Se eu mesmo inconsciente guardo uma energia negativa, fruto de ilusões, fruto da ignorância, Deus responderá às minhas ações de forma tão disparatada, que eu vou me questionar por um momento será que Deus existe.
Então, vejo Deus como um jogo de bate-rebate, Ele é o que é, imutável, nós somos o montante que forma o seu contrário. Ele rebate os nossos pensamentos, nossos sentimentos reagindo às nossas ações. E ele sempre irá rebater, porque entre Ele e nós existe assimetria, e esse “desequilíbrio” ou desigualdade, é que faz tudo funcionar da forma como funciona, porém ele é perfeitamente simétrico, assim como é dentro de nós. Ele eterno e nós transmutando para nos tornarmos perfeitos, luminosos, santos e geniais tanto quanto Ele é na sua magnânima perfeição de criador das imagens do mundo como ele é. Sua perfeição não é para uma santidade, mas para um genial criativo, que sabe ser bom quando ser bom é a reação exata e perfeita para criar o que é justo.
O amor, os sonhos e o espírito
O espírito é feito de energia, a energia criadora que move a alma e que tem a capacidade de ser qualquer coisa, ter qualquer forma, assim como Deus, pois o espírito é sua imagem e semelhança.
A energia do espírito é essencialmente feita de amor, e do amor gera pensamento, que contém em sua natureza todas as virtudes e conteúdos divinos, como a bondade, a justiça, a compaixão, etc…estes conteúdos são características do amor puro, do amor altruísta e são inerentes a ele.
Não se alcança o espírito sem este amor, assim como não se pode ter este conteúdo sem o espírito.
Na busca interior de cada um, os sonhos são sempre as mãos que nos molda, assim como são os sonhos que nos dizem quem somos e como somos, mas quando se fala de sonhos, temos em mente sempre os sonhos que vivemos durante o sono, porém os sonhos vão além disso.
Toda criança sonha, imagina, mesmo estando desperta, cria suas fantasias como realidades oníricas, isso quer dizer que os sonhos estão presentes em nossas vidas mesmo estando acordados. Dormindo estes sonhos nos mostram a nossa realidade, seja ela interior, ou mesmo exterior, quando estes sonhos alcançam um outro estágio, o estágio da nossa criança interior, do espírito.
Por isso devemos encarar nossos sonhos como uma realidade criada e que se cria puramente pelo nosso movimento, interno ou externo. Se uma criança sonha ou fantasia mundos imaginários, seres encantados, estas fantasias serão moldes da sua realidade. Se esta realidade para a criança refletem medo ou dor, então deve-se trabalhar observando que imagens esta criança está associando a estes sentimentos, pois na realidade do espírito o mal não existe, assim como a dor e o sofrimento são encarados como um aprimoramento de si mesmo.
Os sonhos e as fantasias são alimentos para a alma, pois a alma é movida pelo amor e é o amor que cria asas para a imaginação. Matar os sonhos e as fantasias é também matar a si mesmo, ou cortar as asas da alma, tornar o amor algo pesado, e cada vez mais um sentimento ligado ao Ego, aos desejos egoístas, aos desejos sexuais, à matéria.
A fé e o amor
O amor verdadeiro é o amor por Deus acima de todas as coisas. Quem ama a Deus acima tudo, coloca sua vontade soberana sobre os desejos do Ego, e dessa forma entrega-se ao seu próprio destino.
O destino de cada um está guardado em si mesmo, no espírito, nosso Deus interior, amando a Deus acima de tudo, ama-se a si mesmo, pois somos sua imagem e semelhança. É esse amor que se constrói a fé, a fé independente da religião que se tenha, a fé pura e crua.
A fé é a certeza num poder maior que governa tudo na natureza, esse poder que sintetizamos na imagem de Deus. E tudo na natureza se move pela energia do amor, se direcionamos o amor a Deus, todo nosso movimento e o movimento em nossa volta se faz em sincronicidade com esse poder superior. E assim caminhamos sobre nosso destino.
A religião é uma forma de se alcançar a fé, porém isso só se consegue quando a procuramos com o coração, quando este já possui em si o amor verdadeiro, altruísta, assim a religião serve como um guia para a formação da nossa fé.
A Espiritualidade existe mesmo sem que o indivíduo siga qualquer religião, pois nós somos feitos a partir do espírito, conectar-se com essa força dentro de nós mesmos é construir nossa espiritualidade, e isso é o bastante para se obter a clareza sobre Deus, sobre o amor, e tendo esta clareza sobre tudo, a fé é alcançada pela observação ou percepção de um poder maior em nossas vidas.
O Amor e o Pensamento
O Amor é o que nos torna sublimes, é o que aproxima a alma do divino. O pensamento alimentado por esse amor é o que é sublimado em nós, e nos faz seguir todos os valores puros do espírito. Com o amor nosso pensamento compreende tudo aquilo que é divino, enxerga todo o conteúdo espiritual contido em qualquer mensagem de Deus, seja qual for a religião, seja qual for a filosofia ou pensamento expresso pela palavra, o amor está contido na sua forma, e compreendendo esse amor em nós mesmos, podemos também compreender todas estas formas como uma unidade, onde toda a verdade está contida.
Amar é um calor que se sente na alma transmutando tudo aquilo que é pesado, material. É uma energia que se sublima a si mesma e ao pensamento.
É a essência divina, que chama, que nos eleva para o alto e ilumina a tudo como um sol. É o fogo, que deve acender primeiramente o pensamento em torno daquilo que é eterno. Quando acende primeiramente as paixões nos queima a alma numa perda de conteúdo e de Tempo.
As paixões devem ser uma consquência do conteúdo divino, do amor sublimado, do pensamento puro e criador em si mesmo em torno da verdade sobre nós e sobre tudo. Amar como se quer ser amado é como aprendemos sobre o amor. Amar a Deus sobre todas as coisas, é vê-lo em igualdade, como se ele fosse nosso reflexo no espelho, assim se sublima o amor e o tornamos energia pura espiritual nos movimentando num caminho de luz e eternidade.
Mediunidade
A mediunidade é uma faculdade inerente a todo indivíduo. Nosso inconsciente individual está inserido no inconsciente coletivo, e quando chegamos a nossa individualidade, a nosso si mesmo, esse passa a ser nosso conteúdo individual. Quando amamos o outro em si mesmos misturamos nosso sentir ao sentimento do outro, assim assumimos o seu conteúdo individual. Assim, nossa luz interior, contida em nosso si mesmo, em nosso conteúdo individual, acende-se no inconsciente coletivo de forma a atrair pensamentos que se afinam com aquele sentimento sentido em nós mesmos, que corresponde ao conteúdo individual do outro. Ou seja, ao sentirmos o outro em si mesmos assumimos seu conteúdo individual e nossa luz interior, de nosso Deus interior, acende aquele conteúdo no inconsciente coletivo e atrai outros conteúdos pelo princípio semelhante atrai semelhante, e ao atrairmos esse conteúdo, é sentido em nossa ânima, nosso sentimento, e o pensamento deste poderá ser refletido em nosso pesamento, em nosso ânimus. Assim a mediunidade se dar por reflexão do conteúdo inconsciente individual de outro em nosso próprio sendo projetada em nosso espaço consciente, em nossa consciência através do pensamento, e se materializa pela fala, pela escrita, na visão, etc…Portanto, a mediunidade é a reflexão de outra alma em nossa própria alma, sendo sentida em nossa ânima (nosso sentimento) e projetada pelo nosso ânimus(nosso pensamento).
O espírito é nosso self, que reflete a nossa alma, quando nos individualizamos somos guiados por ele, e nos tornamos ele mesmo, nós mesmos, nossa totalidade individual.
O amor de Deus em si mesmo
O amor é um sentimento e representa o feminino. Assim como tudo é dual na natureza, assim como Deus é masculino e feminino, e também em nossa alma.
O amor primeiramente deve ser a Deus, que é o próprio amor, amar o próprio amor é ter amor próprio. O amor que a gente cria em si mesmo é o amor que encontraremos em nossa vida. Deus ama de todas as formas, porque Deus não tem forma nenhuma, Ele é o próprio amor, por isso só sabe amar. Quando se ama o próprio amor, se ama a Deus. Amar a Deus não é uma servidão, é olhá-lo com igualdade, olhar o outro com igualdade, pois Deus assim como o outro, são imagem e semelhança de si mesmo. Então se todos somos feito do mesmo amor, não existe diferença, ninguém é melhor, nem pior, ninguém é totalmente bom, ninguém é totalmente mal. Esse é o caminho do meio, que fala o Budismo. É andar no equilíbrio, andar numa linha limitante entre o eu e o mundo, entre o eu e o outro, que é respeitando o tempo e o espaço do outro, e respeitar significa amá-lo da forma que é, que sente e pensa. O caminho do meio é andar no meio termo de tudo. Se amamos o amor sempre teremos Deus acima de nós, porque Ele é a fonte criadora desse amor, é Dele que emana toda a luz do amor. Amá-lo acima de todas as coisas, não significa vê-lo acima de todas as coisas, porque se o vemos acima de todas as coisas, estaremos nos colocando abaixo. Devemos amá-lo acima de tudo, porém devemos enxergá-lo em igualdade a nós mesmos, pois se somos sua imagem e semelhança, vê-lo em igualdade é como ver a si mesmo diante do espelho. O amor é a igualdade, e é esse que deve ser nosso olhar. É o equilíbrio entre os opostos. E o equilíbrio entre nós e Deus, amá-lo acima de tudo, porém vê-lo em igualdade a nós mesmos. Com esse olhar podemos nos igualar também ao outro, e assim amá-lo como amamos a si mesmos. O amar o outro é antes de mais nada, o querer bem, querer bem ao outro, desejar o bem ao outro, desejando o bem ao outro e vendo-o em igualdade, estaremos amando-o como amamos a nós mesmos. Ajudar o próximo não é dar esmola, ou fazer doações de coisas materiais, ajudar o outro é dar tempo ao outro, pois dando-lhe tempo estamos nos doando e nos doando ao outro podemos entendê-lo, sentí-lo e assim ajuda-lo da forma que ele precisa ser ajudado. Muitas vezes doamos dinheiro, coisas materiais como uma forma de nos livrar de algum peso de consciência, mas esse peso de consciência não se tira doando coisas materiais, não dissolve nessa atitude ilusória sobre a prática do bem, não se essa prática não for de forma consciente, ou seja, sentida e pensada. Esse peso de consciência é muitas vezes a falta de consciência sobre o próprio amor. É uma falta de reflexão sobre si mesmo, sobre o amor em si mesmo, sendo projetada de forma vazia e inconsciente.
Doar tempo a si mesmo é refletir sobre si mesmo, sobre o amor em si mesmo, é assim que caminhamos de encontro com Deus e nos tornamos conscientes a respeito do amor em si mesmo, assim podemos doar também tempo ao outro, refletindo o amor no outro e podermos ajuda-lo da forma certa, consciente, naquilo que ele realmente precisa de ajuda.
Deus em nossa Alma
A morte não existe para ninguém. Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma, como diria Lavoisier. As almas possuem pensamento e possuem sentimento, esta é a dualidade da nossa psique, como tudo no universo, como Deus, que é masculino e feminino, tudo é dual. Poderíamos entender o pensamento e o sentimento, como ânimus o masculino e ânima o feminino, não importa os nomes que damos, o conteúdo sempre será o mesmo, do pensamento e do sentimento. Possuimos o conteúdo dos sentimentos e a forma o pensamento. Em nossa alma sempre deve haver um casamento entre estes dois lados, nossos sentimento devem se homogeinizar num conteúdo de amor para que nosso pensamento ganhe uma forma sobre este. A libido, o desejo sexual nos faz ganhar formas daqueles que nos relacionamos, pois o desejo é uma força de movimento do amor para uma vontade de se tornar unido ao outro, dois querendo ser um. Nessa força do desejo, de atração e união, dessa energia, ganhamos faces daqueles que nos relacionamos, pois criamos em nós a imagem que agrada o outro, num desejo de satisfazê-lo nos colocamos imagens que o atraia. Para um homem, o desejo puramente sexual lhe cria faces para o amor, fazendo com que este não desenvolva sua ânima, seu pensamento que daria forma ao conteúdo do amor, ou seja, sua consciência não se desenvolve a respeito do amor verdadeiro, por isso, seu ânimus também não se desenvolve. Para uma mulher, o desejo puramente sexual lhe cria faces para seu ânimus, também não lhe dando a mesma consciência. Para toda alma que deseja uma individualidade, deve haver uma clareza, uma consciência a respeito do amor na forma do pensamento. Por isso, qualquer indivíduo que deseja permanecer fiel a sua alma, na vida ou depois da morte, deve buscar uma clareza sobre si mesmo, pois é em si mesmo onde há um casamento entre o pensar e o sentir, e é essa fidelidade, a priori, que permitirá este indivíduo encontrar sua cara-metade, sua alma gêmea, pois sendo primeiro fiel a si mesmo, poderá se diferenciar do outro e enxergar com mais clareza o par que se deseja, que o complete e também ver na luz quem o outro é realmente . O sentir é o amor que se tem em si mesmo, que se faz amor quando dissolvemos todos os nossos conteúdos de sentimentos num amor puro, do querer bem incondicionalmente, e o pensar é a forma dada a este amor. Não importa a forma, se eu sigo a uma religião, não importa qual seja a religião, não importa se eu sigo um pensamento próprio, a verdade, a luz, o amor sempre terá o encontro em cada um, em seu si mesmo, e sempre irá unir, pensamento, sentimento, numa verdade única que será a imagem e semelhança de Deus.
A Religiosidade e a Alma
A fé é um requisito indispensável da alma humana. Sem ela é praticamente impossível achar significação para a existência. A fé nada tem a ver com religiosidade, a fé é uma certeza que se constrói ou se conquista em si mesmo quando conseguimos enxergar no universo, dentro ou fora de nós próprios, a presença de uma força superior movendo tudo em nossa volta. Não existe acaso, e se os acasos não existem, tudo deve ter uma explicação, um sentido de ser. A isso que tem esse sentido podemos chamar de si mesmo, podemos chamar de Deus, podemos chamar de destino, pois comum em todos estes níveis existe o sentido. Se na origem do universo era o vazio, o caos, esse vazio era uma forma de Deus, porém sua forma sem ainda um sentido ordenado, por isso caótico. Nessa situação de caos, Deus estaria concentrado apenas em si mesmo, girando em torno de si mesmo. E nesse movimento em torno de si mesmo gerou a luz, o amor, que preencheu o vazio inicial e deu um sentido para sua existência. Sentido esse que sob essa luz do amor se chamou de pensamento. Então o pensamento, movido pelo amor ganhou um sentido para formação da nossa consciência. Pode-se dizer então que Deus, inicialmente sem o sentido do pensamento, seria inconsciente. Ou seja, Deus se movimentava em torno de si mesmo incosnciente, assim como é o tempo, e nesse movimento do Tempo em si mesmo, gerou, a luz, uma energia de movimento criando um sentido para essa luz na forma do pensamento. Deus, está em toda parte, manifesto de várias formas, porque Deus é o criativo, é o criador, e sua imaginação é infinita. Nós somos sua imagem e semelhança, pois temos dentro de nós o universo, e o mesmo conteúdo divino, criador, dentro de nossa alma. Por isso somos sua imagem e semelhança. A busca por Deus dentro de si mesmo, de forma mais íntima, cria uma conexão interior com Deus mais enraizada, sólida e permanente. A religiosidade muitas vezes nos afasta dessa relação interior e íntima com Deus e nos transforma em seres psquicamente mecanizados, buscando uma perfeição que muitas vezes leva o indivíduo a criar máscaras, personagens e dessa forma a viver num mundo de aparências, forçando a si mesmo a ser o que não é, negando em si mesmo suas imperfeições, recusando sua própria alma e natureza. Encarar Deus, querer encontrá-lo e enxergá-lo é antes de mais nada encarar a si mesmo.