A Religiosidade e a Alma

A fé é um requisito indispensável da alma humana. Sem ela é praticamente impossível achar significação para a existência. A fé nada tem a ver com religiosidade, a fé é uma certeza que se constrói ou se conquista em si mesmo quando conseguimos enxergar no universo, dentro ou fora de nós próprios, a presença de uma força superior movendo tudo em nossa volta. Não existe acaso, e se os acasos não existem, tudo deve ter uma explicação, um sentido de ser. A isso que tem esse sentido podemos chamar de si mesmo, podemos chamar de Deus, podemos chamar de destino, pois comum em todos estes níveis existe o sentido. Se na origem do universo era o vazio, o caos, esse vazio era uma forma de Deus, porém sua forma sem ainda um sentido ordenado, por isso caótico. Nessa situação de caos, Deus estaria concentrado apenas em si mesmo, girando em torno de si mesmo. E nesse movimento em torno de si mesmo gerou a luz, o amor, que preencheu o vazio inicial e deu um sentido para sua existência. Sentido esse que sob essa luz do amor se chamou de pensamento. Então o pensamento, movido pelo amor ganhou um sentido para formação da nossa consciência. Pode-se dizer então que Deus, inicialmente sem o sentido do pensamento, seria inconsciente. Ou seja, Deus se movimentava em torno de si mesmo incosnciente, assim como é o tempo, e nesse movimento do Tempo em si mesmo, gerou, a luz, uma energia de movimento criando um sentido para essa luz na forma do pensamento. Deus, está em toda parte, manifesto de várias formas, porque Deus é o criativo, é o criador, e sua imaginação é infinita. Nós somos sua imagem e semelhança, pois temos dentro de nós o universo, e o mesmo conteúdo divino, criador, dentro de nossa alma. Por isso somos sua imagem e semelhança. A busca por Deus dentro de si mesmo, de forma mais íntima, cria uma conexão interior com Deus mais enraizada, sólida e permanente. A religiosidade muitas vezes nos afasta dessa relação interior e íntima com Deus e nos transforma em seres psquicamente mecanizados, buscando uma perfeição que muitas vezes leva o indivíduo a criar máscaras, personagens e dessa forma a viver num mundo de aparências, forçando a si mesmo a ser o que não é, negando em si mesmo suas imperfeições, recusando sua própria alma e natureza. Encarar Deus, querer encontrá-lo e enxergá-lo é antes de mais nada encarar a si mesmo.

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