Sobre o Amor

O amor é uma energia de transmutação, de transcendência do ser. Quanto mais sublimado o amor, maior será o grau de sua consciência sobre si mesmo e sobre a coletividade. A vulgaridade em que se coloca o amor é proveniente da ignorância da natureza deste. Não se ama ninguém. Pode se desejar alguém, admirar alguém, desejar o bem, mas amar não é exatamente uma constante da ideia em que se envolve a natureza do amor. Quando a religião prega “Amar a Deus sobre todas as coisas”, a religião transforma em lei ou regra o que é da natureza do amor, a transmutação e a transcendência. O amor é uma ideia e esta ideia se desdobra em bens para o ser humano, como por exemplo a generosidade, a compaixão e a sabedoria. Quando se diz eu amo alguém, na verdade o sentimento é desejo. Amor enquanto  ideia é admiração e contemplação, jamais terá nele a intenção de posse ou de possuir tal coisa. Somente o amor altruísta, um estado de não-querer, de não-ação, se tem um vislumbre do amor, mas mesmo neste caso o amor se transmuta para um bem, generosidade ou compaixão ou pelo desejo de se querer bem, desejar a felicidade de alguém ou de uma coletividade.
Platão idealizou o amor, porque o amor é de fato uma ideia, e a partir dela idealizamos o amor. Na verdade, eu diria, ame a si mesmo e o outro como a ti mesmo, que se traduz, tenha o amor para ser transformado e para transformar, pois é este o papel do amor, da transformação. Como na alquimia, o amor seria o ingrediente fundamental para transmutar os metais em ouro, ou seja, o amor transmuta nosso ser para um ser de luz. Quando se limita o amor a um outro único ser, como ideia mesmo, ou a alguém do sexo oposto, na verdade se está podando o seu ser de todo seu potencial transformador e de realização na sua totalidade.
Se você tem alguém que ama muito, na verdade, esse amor tem que ser traduzido em liberdade e desejo de realização plena para este alguém. Amor é sempre sinônimo de liberdade e não se pode dizer que se ama alguém com intenção de possuir, no sentido de limitar o Ser do outro. No entanto amor é compartilhar, e nessa sua característica é que podemos compartilhar com outro alguém nossos desejos.
Uma relação de amor onde a liberdade não prevalece existirá sempre a sombra do poder, e onde existe poder de um sobre outros, o amor míngua, perdendo seu caráter transformador e retornando ao seu estado de ideia. O que permanece é uma relação de poder, de posse, de desejo e de projeção de sombras.
Mas alguém pode dizer “Mas eu amo meus filhos”, mas eu digo, amor aos filhos se transmuta no cuidado a  eles, amor é o cuidar, Cuidado é uma rotina do amor.
Não, jamais diga que ama alguém sem ter na luz de sua consciência a total compreensão do amor, do amor que é liberdade, que é generosidade, que é compaixão, que é o querer bem e a realização plena e consciente, pois esse amor vulgar do “amo porque eu sinto assim” é uma prisão, uma limitação sombria sobre a luz das ideias, que se coloca sobre aquilo que se ama.

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